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Data - 12.12.2011

Fim de integração gratuita pode atingir 60 mil usuários

Integração livre foi implementada há 20 anos.

Por Metrô News

Por conta de um convênio firmado entre o Estado e as prefeituras de São Paulo e Diadema, mais de 60 mil passageiros todos os dias, de dentro dos terminais São Mateus, Diadema e Piraporinha, conseguem há 14 anos fazer a baldeação gratuitamente, só pagando a taxa do primeiro coletivo, para os ônibus que compõem o Corredor ABD.

Mas, o convênio que beneficia mais de 15 milhões de passageiros todos os anos pode chegar ao fim, já que, segundo o deputado estadual Adriano Diogo (PT), a Secretaria de Transportes Metropolitanos informou que não pretende renovar o vínculo, notificando, há um mês, as prefeituras, alegando um equilíbrio de contrato com a concessionária.

Com isso, os passageiros que ingressam nos três terminais para pegar os ônibus, que passam por São Bernardo do Campo, Santo André e Diadema, terão de pagar até R$ 1 por baldeação para cobrir o suposto prejuízo, o que para o deputado é errado. Segundo ele, mesmo sendo contra, a tabela mostraria uma compensação de apenas R$ 0,45 por transferência, mas o prejuízo estaria sendo pago só por esses passageiros. “É um absurdo, pois as passagens já estão caras, as empresas ganham muito e estão repassando o custo à população. Às vezes, a população acha que é a Prefeitura, mas não é”, comentou.

Fim do convênio gera reclamações

Por conta do fim do convênio e da integração gratuita nas linhas do Corredor ABD, nos terminais São Mateus, Piraporinha e Diadema, as reclamações não param de surgir.

Na segunda-feira passada, uma audiência pública na Câmara Municipal de Diadema reuniu 500 pessoas e, na semana passada, um grupo de passageiros protestou ao lado do Terminal São Mateus, realizando panfletagem e recolhendo apoios ao abaixo-assinado, que já recebeu 40 mil adesões.

“Essa mudança vai pesar muito no bolso das pessoas. Contando ida e volta serão quase R$ 60 por mês”, reclamou o advogado Fábio Rodrigues, que é morador de São Mateus e participou, na última quarta-feira, de uma reunião com a Secretaria de Transportes Metropolitanos para expor o problema.

Para a vereadora Juliana Cardoso (PT), que integra o movimento contra a cobrança, essa medida do Governo do Estado prejudica os trabalhadores.

“O transporte público de São Paulo já tem uma das tarifas mais caras do Brasil, e essa decisão vai contra um direito adquirido da população”, disse.

Integração livre

Batizado de integração livre, o sistema foi implantado, há pouco mais de 20 anos, durante a gestão da ex-prefeita Luiza Erundina, e beneficia os moradores de São Mateus, Sapopemba e Itaquera. As linhas, que antes eram feitas somente por trólebus, partem de São Mateus com destino ao Jabaquara, passando por Santo André, São Bernardo do Campo e Diadema.

Quando feito, o convênio também foi estendido a Diadema. Santo André e São Bernardo ficaram de fora. O preço da tarifa desse sistema intermunicipal operado pela Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU) é de R$ 2,90.

EMTU aponta crescimento de gastos

Sobre o fim da integração, a Empresa Metropolitana Transportes Urbanos (EMTU) alegou aumento de gastos e investimentos para realizar a mudança. Citando um equilíbrio de contrato, a EMTU disse que, desde que o convênio foi assinado, há 14 anos, os passageiros cresceram em 24%, ocasionando necessidade de novos investimentos, como aumentos de 34% na frota e de 10% na quilometragem.

Além disso, a empresa, que diz que a integração atende a 40 mil usuários por dia, o critério de tarifas, como está hoje, é desigual. Segundo a EMTU, em São Bernardo, Santo André e Mauá, a tarifa integrada com a concessionária é de R$ 5,80. No Jabaquara, com a integração com o Metrô a R$ 5,40, e com os ônibus do município de São Paulo a R$ 5,90. Em São Mateus, a tarifa integrada seria de R$ 3,00, e no Morumbi a integração com os trens da CPTM seria de R$ 5,40.

“O contrato certamente ficaria mais equilibrado, sem necessidade de mais investimentos públicos e viabilizando a melhoria do desempenho do Corredor ABD. É bom lembrar que há melhorias em curso, representando investimentos de cerca de R$ 90 milhões”, diz a nota da EMTU, citando melhorias em terminais e sistemas.

Data ainda é indefinida

Segundo a EMTU, não há uma data definida para o fim da integração, já que é preciso terminar os estudos para o equilíbrio do contrato. Ela vem conversando com lideranças locais e enviou proposta à Prefeitura de Diadema para manter a transferência gratuita, sugerindo a participação

Adriano Diogo©Todos os direitos reservados